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São em ocasiões como essa que as pessoas percebem que pressa não é a melhor aliada quando se tem que tomar uma decisão. Após esse recente exílio, Vegetto quis ter seu próprio canto, pelo menos até que ele decidisse com calma com quem ele viveria. Claro que quem arcou com as despesas foi Bulma. Vegetto escolheu um apartamento modesto, no subúrbio de Satan City. Ele quase nunca estava em casa mesmo, e seus únicos pertences eram uma cama, uma cômoda e um bonsai (aquelas mini-árvores japonesas). Mas Bulma insistiu tanto, que conseguiu fazer com que ele aceitasse adicionar uma mesa e algumas cadeiras apenas pelo “vai que”. E uma vez que Vegetto tinha finalmente a sua casa, ele tirou vantagem disso para meditar, feliz por estar sozinho. Os vizinhos não eram barulhentos, o bairro era bem calmo. A paz estava garantida. O que mais ele poderia querer?

Entretanto… Em um daqueles dias, Vegetto sentiu o peso da solidão, e isso o perturbou. O medo retorceu seu estômago. A idéia de que ele poderia morrer de fome, que ele tinha esquecido por um tempo, veio à tona novamente, ao ponto de deixá-lo sem respirar. Ele nunca pensou sobre morrer, em parte porque ele já havia estado morto várias vezes antes de seu nascimento, mas agora a preocupação realmente o consumia. Ele queria viver e aproveitar a vida, ter uma vida normal, coisa que ele nunca teve enquanto ainda era Goku e Vegeta. E agora ele descobre que talvez não pudesse? O sentimento de frustração era realmente angustiante, esmagador… Ele rezou para que Korin conseguisse encontrar uma solução para o seu problema. Seu estômago se contorceu e emitiu borborigmos. Vegetto suspirou, ao mesmo tempo em que colocava as mãos sobre ele… A fome era um de seus grandes medos, depois de hospitais, é claro. Então ele decidiu chamar ChiChi e Bulma, para mantê-las informadas.

Bulma estava na cozinha, fazendo o jantar do seu filho, quando ouviu o fone tocar. Ela abaixou o fogo antes de atender.

_ Alô? – ela disse, como de costume.
_ Bulma? Sou eu, Vegetto.
_ Ah! Eu estava esperando você ligar! E então?
_ Bem, eu fui até Dendê, mas ele não soube me dizer o que está havendo. Então eu fui até Korin e ele me deu senzus… Foi o único jeito de satisfazer minha fome…
_ Bom, se a senzu consegue te saciar, é uma boa notícia, não? Você só tem que sempre ter algumas com você…
_ Mas aí é que está… Korin só tem três sementes de quando em quando…
_ Você pediu a ele que aumentasse a colheita?
_ Sim, e ele disse que iria ver o que consegue fazer…
_ Bem, então você apenas vai ter que esperar… – ao dizer isso, ela pôde ouvir Vegetto suspirar do outro lado da linha.
_ Você sabe que eu odeio esperar sem fazer nada… Nós dois sabemos de quem eu puxei isso…

Bulma riu, apesar da situação trágica. Ela não estava assustada quanto a morte, pois graças aos seus amigos ela acabou conhecendo vários deuses. Por outro lado, doía muito a possibilidade de perder Vegetto. Então ela ofereceu:

_ Bem, se você está com fome, venha para cá, eu te preparo alguma coisa…
_ Não, obrigado. É um paradoxo, mas eu tenho um nó no estômago devido a toda essa preocupação… Ao menos por enquanto.
_ Você vai falar com ChiChi também?
_ Sim, eu vou contar tudo a ela. Ela também está preocupada.
_ Nesse caso, acho melhor você se apressar. Eu preciso desligar agora, estou com a comida do Trunks no fogo.

Depois da despedida, Vegetto ligou para ChiChi, para novamente explicar as mesmas coisas. A reação dela foi, claro, nada amistosa, mas o clima sombrio de Vegetto controlou isso. Depois que ele já tinha desligado, ele se sentou e nesse momento seu estômago fez outro borborigmo enorme. Se corpo o estava avisando, mas ele não queria comer. Saiyajins era seres que comiam quando estavam com vontade e podiam se banquetear, comer sem prazer não o atraía. Ali, sentado em seu sofá, ele deixou sua mente vagar… Mas logo sentiu novamente a dor de seu estômago morrendo de fome, subindo até seu cérebro e causando grande fraqueza. A sensação era de como se o cérebro estivesse se contraindo buscando por reservas de energia para se manter funcionando. O som de suas entranhas era tão desagradável que Vegetto tapou os ouvidos com as palmas das mãos, mas ainda assim ele os ouvia. A situação estava tensa mesmo. Ele pensou nos convites de Bulma e ChiChi, mas seus membros estavam muito fracos para se moverem e sua boca estava tão ruim que ele simplesmente não sentia vontade de comer nada. Goku tendia a enfraquecer excessivamente se não comesse, e infelizmente para Vegetto, ele parecia ter herdado isso. O fone tocou, ele levantou sem entusiasmo e atendeu com o usual tom baixo:

_ Alô?
_ Goku? É o Kuririn! Há quanto tempo! Escuta, você não gostaria de vir jantar aqui? Seria ótimo ter você com a gente!

Mesmo que Vegetto não estivesse muito atraído pela comida, a oportunidade de ver dois de seus melhores amigos o animou. Ele prontamente aceitou e teleportou-se para a casa do mestre Kame, aparecendo bem em frente a Kuririn, #18 e a filha do casal. O saiyajin os cumprimentou com um largo sorriso de orelha a orelha. Nada como visitar os amigos para relaxar. Kuririn disse:

_ Venha, vamos nos sentar à mesa! Eu preparei um frango com leite de côco, você vai ver, está divino!

Vegetto não queria magoar seu amigo, e fez uma força por ele! Ele o devia isso. Ao colocar uma porção da comida na boca, o sabor estava tão requintado que ele gemeu de prazer. Suas papilas gustativas e seu estômago pediram por mais. Colheradas atrás de colheradas… Kuririn estava feliz. Depois da refeição, ele confessou:

_ Na verdade, a Bulma me ligou pra me contar do seu problema, e eu pensei, mesmo que você não queira comer, você precisa. E aparentemente, deu certo.

Vegetto tinha comido mais que uma dúzia de pratos. #18, sendo uma ciborgue, não comia muito. Kuririn e Marrom tinham apetites normais. Vegetto observou seus amigos… Aqueles foram realmente bons momentos, que definitivamente o animaram. Algumas horas depois, ele voltou para casa usando o teletransporte e, mesmo que ainda estivesse com fome, dormiu como um bebê.

Na manhã seguinte… O saiyajin pretendia ir para a casa de ChiChi, como havia prometido. Uma promessa feita é uma promessa cumprida. Mas quando ele estava a ponto de partir, ouviu uma voz em sua cabeça:

_ Vegetto, sou eu!
_ Mestre kaioshin?
_ Sim! Korin chamou Dendê, que chamou Kaiô, que me chamou, avisando sobre o seu… Problema com a fome.
_ Oh! Sério? – Vegetto estava esperançoso.
_ Vá para o templo, nós vamos te encontrar lá!

Dito e imediatamente feito. O saiyajin apareceu na frente de Dendê e Piccolo, que riram para ele (um grande sorriso da parte de Dendê). Vegetto sorriu de volta, aliviado por uma solução ter sido encontrada rapidamente. Kibitoshin apareceu ao lado, trazendo o Mestre Kaioshin com ele. O ancião limpou a garganta e disse:

_ Serei breve, Vegetto. Para viver, você vai precisar de uma quantidade enorme de senzus… Muito mais do que nós poderíamos crescer neste planeta…

Vegetto assentiu. Ele já estava ciente disso, afinal. O velho deus continuou:

_ Por isso, será necessário plantá-las em outro lugar…
_ Mas.. Onde? – Vegetto estava impaciente. Mas o kaioshin estava mais ainda:
_ Deixe-me terminar! Bem, onde eu estava?
_ Em “em outro lugar”. – respondeu Kibitoshin.
_ Sim, certo, obrigado. Então, você vai precisar de outro planeta para plantá-las. Um planeta inabitado e com uma atmosfera adequada para o crescimento de senzus…
_ Mas isso não existe… – disse Vegetto, desencorajado.
_ Eu disse para não me interromper! É claro que existe! Se não existisse, nós não estaríamos falando sobre isso!
_ Isso é verdade… Desculpe-me.
_ Bem, nós já encontramos um planeta que irá servir… Ele está a alguns milhares de anos-luz daqui…
_ Mas como eu vou chegar lá? – perguntou um Vegetto em pânico.

O ancião olhou para ele. Kibitoshin pôs uma mão em seu ombro, para acalmá-lo. Os ataques de ira de seu mestre nunca eram um bom presságio. O velho kaioshin respirou fundo antes de dizer:

_ Eu sei muito bem que o seu teletransporte só te permite ir a lugares onde você pode sentir a presença de alguém. Mas acontece que eu tenho a meu lado alguém que pode te ensinar a se teleportar para qualquer lugar que você possa visualizar.

Vegetto olhou para Kibitoshin, esperançoso. O último assentiu.

_ Você ficará comigo no reino dos deuses até aprender a técnica. Mas primeiro, nós temos que te mostrar o planeta.

Vegetto sorriu. Ele tinha certeza que poderia aprender a técnica rapidamente. Mas a fala do velho kaioshin interrompeu seus pensamentos:

_ Escute, uma senzu leva um ano para crescer. Nesse tempo você terá que aprender a técnica e encontrar pessoas que possam ajudar você.
_ Um ano? Eu vou ficar com fome por… UM ANO???
_ Bem, sim… Essas coisas acontecem. – suspirou o velho deus.

Vegetto se sentiu cansado. Um ano… Isso era muito tempo. Mas ao menos era melhor do que morrer de fome. Ele sentiu uma mão em seu obro e viu que Kibitoshin estava o dando seu suporte.

_ Ouça, precisamos nos apressar. Quanto mais cedo, melhor.
_ Tudo bem, mas eu preciso avisar a minha família antes…
_ Certo, de acordo! Eu também gostaria de ver Gohan de novo. – disse Kibitoshin com um largo sorriso.
_ Dendê, Piccolo, Mestre Kaioshin, vocês gostariam de vir com a gente? – ofereceu Vegetto.
_ Sim! – respondeu o jovem namek.
_ Nesse caso, eu também irei. – disse Piccolo no tom neutro de sempre.

Vegetto pediu que todos o tocassem, e logo todos apareceram ao lado de Bulma. O saiyajin cumprimentou:

_ Oi…
_ Vegetto, porque você trouxe tanta gente? Eu não preparei nada!
_ Bulma, por favor, você pode chamar ChiChi? Eu tenho uma coisa pra dizer a todos… – Vegetto estava sério.

Bulma pegou o telefone e ligou, sem dizer nada.

_ Alô? – uma voz sonolenta disse do outro lado da linha.
_ ChiChi, é a Bulma.
_ Bulma, você sabe que horas são?
_ Venha assim que você puder, Vegetto está aqui e quer falar com todo mundo.
_ Tudo bem, estou indo.

Meia hora mais tarde, ela estava lá, com seus dois filhos de terno e gravata.

_ Chichi, você está entre amigos, não é um noivado! – brincou Bulma.
_ Eu quero que meus filhos estejam apresentáveis. E eu fiz bem, os deuses do universo estão aqui, é uma honra!

Bulma morreu de rir quando viu a cara de Gohan, vermelha como um tomate. Todos se acomodaram na sala de estar. Vegetto começou:

_ Ouçam, eu… Vou ter que me ausentar por um tempo.
_ O quê? Como assim? – todos se perguntavam.
_ Eu vou ter que aprender uma nova técnica no reino dos deuses… Para sobreviver, eu vou ter que plantar senzus em um outro planeta distante…
_ Mas como você vai fazer isso? – perguntou Trunks.
_ Bem, eu vou ter que contratar pessoas, eu acho…

Gohan o fitou. O saiyajin continuou:

_ Eu vou ter que pensar com mais calma nisso… Mas encontrarei uma maneira.
_ Você já pensou sobre aliens?
_ Eu vou considerar isso depois das primeiras colheitas…

Bulma suspirou. Ela realmente não tinha gostado do que ouviu, mas se era o único jeito… Então que fosse. Então foi a vez de ChiChi:

_ Mas você tem alguma noção de agricultura?
_ Bem, você fez algumas plantações junto com Goku. Eu lembro como plantar, regar, extrair…
_ Sim, mas você não sabe os métodos que te dão a melhor qualidade na maior quantidade possível, sabe?
_ Er… – murmurou Vegetto, coçando a cabeça.
_ Não se preocupe, eu vou te ensinar tudo o que precisa saber. Você tem sorte de me ter por perto… Do contrário você não teria como resolver isso sozinho.

Bulma encarou ChiChi. Mas a diretora da Corporação Cápsula não ficou por baixo.

_ Qualquer um pode fazer isso.
_ Porque você sabe tudo sobre solo e colheita?

Desta vez Bulma ficou em silêncio, porque ela simplesmente não sabia. Vegetto tratou de acalmar ao ânimos.

_ Calma, não é nada de mais. ChiChi vai me explicar depois que eu tiver aprendido o teleporte. Nesse meio tempo, não se matem, por favor.

As duas mulheres suspiraram. Kibitoshin apressou Vegetto.

_ Nós temos que nos apressar. Eu não quero encurtar a despedida, mas os seus dias estão contados, meu amigo.

Vegetto olhou triste para sua família, e acenou para eles pela última vez, antes que desaparecesse junto com os dois deuses. Bulma disse:

_ Você acha que ele vai aprender rápido?
_ Sim. Ele tem os genes de Goku e Vegeta, então certamente ele vai. – respondeu ChiChi.

E toda a família fez um profundo suspiro, rezando a Dende que assim fosse.


_ Traduzido por Akroma


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