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_ Vamos, garotos, se apressem! Nós já estamos indo! – Vegetto chamou do corridor.
_ Legal! – exclamaram Goten e Trunks, enquanto desciam correndo as escadas.

Haviam se passado três meses desde a discussão. As coisas agora estavam mais fáceis. Goku e Vegeta estavam “mortos” há meio ano, todos já haviam aceitado que eles não voltariam mais, e também aprendido a aceitar Vegetto como uma pessoa independente. Na verdade, já gostavam bastante dele. A gentileza e paciência herdadas de Goku ajudaram muito, sem deixar de lado o humor peculiar de Vegeta.

_ Onde vocês vão? – perguntou Bulma.
_ Ao parque temático. Nós voltamos a tempo pro jantar. – explicou o saiyajin.
_ Tenham cuidado, ok?
_ Não se preocupe, tudo estará bem. – ele respondeu e beijou sua amada nos lábios por reflexo. Sua amada, que ficou… Sem fala. Vegetto ainda disse “te vejo à noite!” e apressou os garotos.

O saiyajin amaldiçoou aqueles hábitos que seus dois “pais” tinham, e assim, foram transmitidos. Bem, os cromossomos eram tão imprevisíveis quanto um cara-ou-coroa: 50% de chance… Ele tratou logo de voar e assim evitar aqueles terríveis conflitos interiores, também se certificando de que seus filhos não voariam longe demais. No ar, ele esqueceu tudo. O vento em seu rosto o acalmou e ele sorriu naturalmente.

Bulma, em casa, estava confusa. Aquele beijo havia sido um hábito herdado de Vegeta, ou foi um ato espontâneo de Vegetto? Ela estava louca para falar com alguém sobre isso, aquilo estava a consumindo, e também para pedir ajuda. Bem, com certeza não seria com ChiChi… E também não poderia ser com Gohan. Kuririn não saberia o que dizer, e quanto à #18, esses assuntos sempre a deixavam embaraçada. Restavam… Yamcha? Ele sumiu desde a vitória dos guerreiros Z. Só restava uma mulher com quem ela se dava razoavelmente bem, e também morava perto. Bulma pegou o telefone.

_ Alô? – ela escutou a voz de Videl.
_ Videl, é a Bulma!
_ Bulma! Como você está?
_ Estou bem! Mas eu preciso de um conselho, e queria ouvir a sua opinião. Você poderia vir aqui em casa?
_ Agora? Hum… Tudo bem, estou indo!

Nesse meio tempo, Bulma fez um café e colocou a mesa do jardim no terraço, pra deixar as coisas mais fáceis. Videl chegou 15 minutos depois, do ar.

_ Oi Bulma!
_ Videl! Por favor sente-se, eu fiz um café pra nós!

Videl agradeceu, sentou-se, e foi direto ao ponto:

_ Então, o que está te incomodando?
_ Bem… Agora há pouco, Vegetto foi com Goten e Trunks ao parque…
_ Isso é ótimo! Ele realmente é um pai considerável.
_ Sim… Mas quando ele estava saindo, ele me beijou.

Videl quase sufocou. Ela engasgou alto, e entre uma tosse e outra, conseguiu dizer:

_ O… O quê???
_ Então! Eu não sei o que pensar sobre isso!
_ Mas se ele te beijou, isso quer dizer que ele sente alguma coisa por você, certo?
_ Bem, pode ser, mas Vegeta também fez isso antes. Então eu não sei se isso foi apenas um velho hábito que reapareceu.
_ Mas, mesmo se foi um reflexo ou se ele fez por vontade própria, isso mostra o que ele realmente sente!
_ Como assim?
_ Bem, ele nos contou que, ainda que ele tenha memórias de tudo o que aconteceu antes, ele pensa e age por si mesmo. Então, se ele não gostasse de você, não teria te beijado! Ou seja, ele pode ter herdado o hábito de Vegeta, mas são seus próprios sentimentos que vão fazer com que ele faça algo ou não!

Bulma pensou um pouco antes de responder.

_ Certo, mas… E se…
_ Olhe, se “se” e “e” fossem potes e panelas, nós não precisaríamos de funileiros… Com “se”, abelhas poderiam falar… Faça alguma coisa, pergunte a ele, porque se você não fizer, as coisas não vão andar.
_ Mas, e quanto a ChiChi?
_ Se ele não a ama, ele não pode ser forçado a isso, só por causa da memória de Goku. Gohan me contou que Vegetto vai vê-la a cada dois dias. Não é tão ruim, certo? Muitos homens não fariam nem perto disso.
_ Eu… Acho que você está certa…
_ Mas é claro! Eu estou quase sempre certa, se não sempre! – Videl brincou.

Elas passaram o resto da tarde juntas, falando sobre isso ou aquilo. Quando escureceu, Vegetto e as crianças apareceram no horizonte. Quando o saiyajin viu Bulma, ficou um pouco embaraçado, mas não demonstrou. Eles pousaram e Videl os cumprimentou.

_ Oi meninos! Se divertiram?
_ Sim! Foi… - começou Trunks, eufórico.
_ Realmente incrível! – terminou Goten, levantando um punho para cima.

Os dois garotos riram. Vegetto disse:

_ Seus dois monstrinhos, entrem e tomem um banho!

Goten e Trunks dispararam como se fossem dois cavalos de corrida. Bulma perguntou com um sorriso:

_ Eles te deram muito trabalho?
_ Bem, pra dizer a verdade, eu me diverti também! – ele admitiu.

Bulma sorriu. Videl, percebendo que estava de vela, se despediu.

_ Bem, está na minha hora! Nos vemos depois!

Ela levantou vôo imediatamente. Bulma tomou a iniciativa:

_ Sobre mais cedo… O beijo…

Vegetto se sentiu embaraçado também, mas não fugiu do assunto.

_ Eu o fiz porque… Eu quis.

Bulma olhou espantada e então Vegetto decidiu explicar melhor.

_ Na verdade… Eu já tinha feito minha escolha já faz algum tempo, mas você e ChiChi precisavam de mais tempo pra me conhecer. Eu não sei se você me corresponde, se você me ama.

Bulma realmente se sentia atraída por Vegetto. Para ela, ele era a mistura ideal dos dois extremos que Goku e Vegeta eram, um homem bem balanceado. Ela respondeu, escolhendo as palavras com cuidado:

_ Bem, eu… Eu me sinto atraída por você também. Mas ainda é muito pouco tempo, somente três meses…

Vegetto suspirou.

_ Eu sei. Vamos esperar um pouco mais. Você me diz o que sente quando… Quando você tiver certeza.

Bulma assentiu, e de comum acordo, eles não disseram mais nada sobre isso.

Na casa da família Son, ChiChi perguntava a seu filho mais novo, enquanto lavava a louça:

_ Então, meu querido, como foi seu fim de semana com Trunks?
_ Foi fantástico! Papai nos levou ao parque! E ele beijou a Bulma.

O som de um prato quebrando pôde ser ouvido.

_ O QUÊ???

Bulma também estava lavando pratos, assobiando, quando o telefone tocou.

_ Alô?

A voz estridente e em tom não amigável de Chichi atravessou sua cabeça de um ouvido ao outro.

_ BULMA! QUE DIABOS VOCÊ FEZ???

Bulma se perguntava se iria ficar surda depois disso. ChiChi estava literalmente guinchando do outro lado da linha.

_ GOTEN ME CONTOU TUDO! ENTÃO ELE TE BEIJOU!!!

Bulma fez um som como um murmúrio. Aquele pequeno dedo duro! Mas ela admitiu, sem esquivas.

_ Sim, é verdade.
_ E porquê ele fez isso?
_ Ele me disse que… Ele disse que fez porque quis.
_ Mas… Mas… E quanto à minha família? – ChiChi gaguejou, já começando a chorar.
_ Ele não vai te deixar, não se preocupe! Mas eu disse a ele que deveríamos esperar um pouco mais. Ainda é muito cedo e… Eu não quero ir muito rápido e acabarmos todos nos machucando no final.

ChiChi não estava dizendo nada. Bulma estava preocupada.

_ ChiChi? Alô, ChiChi! Você está me ouvindo?

Mas a única coisa que Bulma ouviu foi o usual “biiip… biiip…” da linha. Ela desligou e, preocupada, ligou para Vegetto. Aquilo era uma vitória para as duas famílias, algo que Vegeta e Goku nunca tinham aceitado: carregar um celular. Já Vegetto podia ser encontrado e chamado a qualquer hora. Ele levava o aparelho em seu bolso ou preso em seu cinto, não no ouvido ou na frente dos olhos, métodos que quase o causaram choques.

_ Sim? – a voz baixa do saiyajin foi ouvida.
_ Vegetto, sou eu, Bulma. Estou muito preocupada com ChiChi, Goten andou contando umas coisas pra ela…
_ Não diga mais nada. Eu vou ver isso agora mesmo…

Ele desligou sem dizer uma palavra e se teleportou, para aparecer na frente de uma ChiChi em prantos.

_ ChiChi, o que está havendo?

Ela o abraçou e soluçou.

_ Por favor, não nos abandone! – ela gemeu.
_ Mas quem te disse que eu vou abandonar vocês?
_ Se… Se você namorar a Bulma… Você vai nos negligenciar e…
_ O quê? – Vegetto disse alto. Ele não podia acreditar que uma mulher tão forte e confidente como ChiChi tivesse medos tão infantis. Ele pôs as mãos nos ombros dela.
_ ChiChi, mesmo se eu ficar com a Bulma, eu não vou abandonar você!

ChiChi olhou para ele esperançosa. Vegetto suspirou profundamente, e continuou:

_ Como você pode ter pensado isso? Três meses de fato não são suficientes pra se conhecer alguém a fundo… ChiChi, você é minha família também, eu jamais faria isso!

ChiChi tentou se acalmar, mas não conseguiu parar de chorar. Vegetto suspirou novamente.

_ Vamos, pare de chorar… – ele disse, limpando as lágrimas de ChiChi com os dedos. Ela tentou sorrir.
_ Você está certo. O que eu fui pensar… Olhe, eu vou cozinhar sua comida preferida hoje à noite! Você fica?
_ Nesse caso, eu acho que eu vou! – ele disse, brincalhão.

Ela riu também e começou a cozinhar. Vegetto sentou no sofá e eles começaram a falar sobre tudo: o dia com Goten e Trunks, os preços exorbitantes nas cidades, o bom clima do verão, os animais esquisitos que Goten trazia das trilhas na mata… Bem, sobre praticamente tudo, mais ou menos como numa família normal. Vegetto realmente apreciou aquela discussão calma com ChiChi. Mesmo que ela fosse uma mulher do campo, ela era realmente uma pessoa com muita cultura e aberta ao mundo. Ela também apreciou essas conversas. Goku nunca foi de conversar, e o ambiente na casa agora estava positivamente diferente. Uma hora mais tarde, a comida estava pronta.

_ Maravilha! – Vegetto dizia ao mesmo tempo em que se sentava.
_ Espere, senhor más maneiras! Os garotos ainda não chegaram!
_ Mas eu estou com fome!
_ Você vai ter que esperar!

Vegetto concentrou sua energia nos seus filhos. Eles ainda estavam no meio da floresta. Ele pensou para eles:

« Gohan, Goten, já é hora do jantar! Voltem logo! »

Gohan e Goten se apressaram. Eles temiam o que Vegetto poderia fazer se eles atrasassem o jantar. Cinco minutos depois, eles estavam em casa. Gohan explicou:

_ Nós estávamos treinando um bocado!
_ Mamãe, eu encontrei uma tartaruga! Olhe! – disse Goten.
_ Sim, isso é legal, mas agora deixe-a ir. Ela tem que viver na natureza! – replicou ChiChi, tutelosa.
_ Sim, mãe… – murmurou Goten, desapontado.

E o jantar pôde finalmente começar. Vegetto devorou tudo o que estava ao seu alcance tão rápido que mesmo Gohan e Goten estavam olhando para ele, boquiabertos.

_ Tem mais? – Vegetto perguntou com a boca cheia e estendendo seu prato para a frente.
_ Sim… – ChiChi respondeu, prontamente.

Gohan e Goten se apressaram a comer antes que seu pai devorasse tudo.

_ Tem um pouco mais? – Vegetto perguntou pela sétima vez.
_ Não sobrou nada… – ChiChi respondeu. Era a primeira vez que ela via alguém comer TANTO, e isso era algo inédito, afinal ela já vivia com saiyajins há anos…

Gohan olhou curiosamente para seu pai.

_ Papai, tem alguma coisa errada?
_ Não, mas eu ainda estou com fome… Sinto que estou cada vez com mais fome!
_ Bom, vá para Bulma, pois aqui não sobrou nada… – ChiChi sugeriu.

Vegetto se levantou.

_ Eu virei amanhã pra passar o dia com vocês! Boa noite!

E ele desapareceu.

_ Ei Bulma, você tem alguma coisa pra comer? Eu estou absolutamente morrendo de fome…
_ Você sabe que horas são? – ela repreendeu.

Mas ela logo suspirou e se resignou.

_ Tudo bem, eu vou te preparar alguma coisa…

Uma hora depois, a mesma coisa aconteceu de novo.

_ Vegetto, você tem certeza de que você está bem?
_ Sim, mas… Isso é estranho…
_ Vá ver Dende… Talvez ele saiba alguma coisa. – ela aconselhou, preocupada.
_ Tudo bem. Voltarei em dois dias pra passarmos tempo juntos. Até logo!

E ele desapareceu sem dizer mais nada. Quando chegou no templo dos deuses, ele imediatamente correu até Dende e Piccolo.

_ Dende, eu…
_ Eu sei. Eu vi tudo daqui…
_ Você sabe o que está havendo?
_ Não mais que você, mas aparentemente a comida da Terra não é mais suficiente pra você… Desde que você nasceu, você come mais e mais…
_ Mas… Então o que eu vou fazer? Eu vou morrer de fome? – Vegetto exclamou, em pânico. Depois de todos os perigos que ele já havia enfrentado, ele iria ser pego por uma coisa estúpida como essa?
_ Eu tenho uma idéia. Vá até Korin e peça a ele que te dê senzus. – Piccolo interveio.
_ Boa idéia! Obrigado, Piccolo!

E ele voou templo abaixo. Korin estava esperando por ele, na beira da plataforma.

_ Korin-sama, eu…
_ Eu sei.
_ As novidades correm rápido hein!
_ Eu tenho três senzus! Pegue uma.

Vegetto engoliu a semente e se sentiu um pouco melhor.

_ Posso ter mais uma? – o saiyajin pediu timidamente.

Suspirando, o gato deu a ele sua segunda semente, que Vegetto devorou rapidamente.

_ Ah! Estou me sentindo bem melhor! Obrigado, Korin-sama!
_ Mas o que você vai fazer se a mesma coisa acontecer em cada refeição?

Vegetto gaguejou um pouco:

_ Ah… Er… Eu não sei! Não seria possível crescer mais senzus?

Korin ficou pensativo. Depois de alguns segundos, respondeu:

_ Olhe, eu vou pensar sobre isso. Pode ir para casa, eu vou te chamar assim que eu tiver uma solução pro seu problema.

Vegetto então foi embora, preocupado com o que poderia acontecer com ele. Traído pela comida… Quem poderia ter adivinhado?


_ Traduzido por Akroma


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