Traduzir/Editar.

Ver código fonte.

Durante dois meses, Vegetto viveu em um lugar afastado nas montanhas, na parte norte do país. Ele não teve qualquer contato com civilização e caçava para se alimentar. Esse exílio fez aflorarem as memórias da infância de Goku, e também dos horríveis meses sozinho em um planeta hostil que Vegeta havia passado como parte de seu treinamento.

Melancólico, decidiu ir pescar algum peixe gigante para suprir sua necessidade de carne, assim como ela havia feito quando encontrou Bulma pela primeira vez. Tirou a roupa e caiu na água fria e profunda. Após alguns segundos submerso, ele achou o que estava procurando, nadou rápido e matou o peixe com um golpe bem encaixado. Uma vez fora do lago, ele ainda adicionou três cervos, cinco dragões e dois lobos ao seu jantar, e acendeu uma fogueira. Já era por volta das dez da noite, e o cheiro de cozido trouxe as memórias das missões que Vegeta havia feito junto com Nappa e Raditz. Quando ele ainda era um adolescente, ele também tinha que caçar sua comida nos planetas que conquistava para Freeza. Vegetto sentiu muitas saudades de casa, ainda que, estritamente falando, ele não tinha experiência real de vida. Ele havia nascido fazia apenas dois meses. De fato, aquilo era um sentimento já sentido antes – mas não por ele. Ele não tinha memórias por si próprio. Aqueles que o formavam não eram ele. Aquelas duas pessoas eram parte dele sim, mas não eram ele! Porquê ele nasceu? Pra vencer Buu? Mas uma vez que a tarefa estava cumprida… O que fazer agora? Essa questão permaneceu o intrigando por dois meses…

Aqueles dois homens que o formavam, eles pertenciam ao mundo de forma natural, e às suas respectivas famílias. Ele não era eles. Ele pensou que suas esposas, amigos e filhos viriam para ele assim como ele veio para eles, mas seria isso verdade? Ele não iria conseguir ser aceito como Vegetto… Ou, ao menos, não com facilidade. Os outros sempre iriam procurar por Goku ou por Vegeta. Aquilo o incomodava tanto! Ele mordeu uma coxa de cervo… Não estava muito saborosa, mas mesmo assim comeu tudo, não deixou absolutamente nada. E então caiu no sono, sua cabeça cheia de pensamentos trevosos.

Vegetto já estava desaparecido fazia dois meses! Trunks, Goten e Gohan foram procurar por ele, mas Vegetto escondeu tão bem o seu ki que eles não puderam perceber nem mesmo a menor lasca de sua presença. O grupo já estava em desespero.

_ O que aconteceu naquele dia, Bulma? – perguntou Kuririn, também sentindo muito a ausência de Vegeta.

_ Bem, ele saiu, daquele jeito… Sem nenhum aviso, e sem dizer aonde ia… – ela respondeu gaguejando.

_ Sim, isso nós já sabemos. O que eu quero saber é o que você fez antes dele ir. Ele não pode ter sumido assim sem uma boa razão.

A percepção aguda de Kuririn foi respondida por Bulma com um sussurro:

_ Eu… Eu não sei o que você quer dizer…

_ Não se faça de tola, Bulma! Eu conheço Vegeta bem, e Goku melhor ainda, mas se tem alguém que eu conheço ainda mais, é você! E você não nos disse nada!

#18 assentiu com a sentença de seu marido, enquanto Bulma dava explicações cada vez menos convincentes. Ela realmente havia se aproximado de Vegeta e o considerava um verdadeiro amigo. Ela lembrou de uns dias onde o grupo se reuniu e ela acompanhou seu marido simplesmente por bons modos. Quando ele começou a rir com os amigos dele, ela se sentiu excluída. Foi quando ela notou que Vegeta se afastou do grupo também. Aquela repentina gentileza a fez se aproximar daquele ser tão reservado.

_ Se você não quer estar aqui, porque sempre vem? – Vegeta a interpelou diretamente.

_ Porque eu devo acompanhar meu marido…

Ele então olhou para ela, mas não era um daqueles olhares de tédio ou irritação. Era um olhar que alguém faz quando está se divertindo.

_ Hum! Então nós temos muito em comum! – ele disse com seu usual sorriso.

Aquela fala começou uma das poucas amizades que #18 teve na vida. E essa era a razão pela qual ela não poderia ficar sem fazer nada diante do desaparecimento de Vegetto. Foi então que, subitamente, ela se virou para Kuririn:

_ Eu vou ajudá-los. Cuide da nossa filha!

Kuririn nem teve tempo de dizer nada. Assim que ela terminou a fala, já saiu voando. Ela não precisava dormir, comer, nem mesmo de água, assim podendo sobrevoar a parte deserta do país por semanas sem parar. A androide era esperta, ela sabia muito bem o que estava procurando – vestígios de acampamento. Graças à sua velocidade, sempre que ela encontrava um, ela sabia em menos de um segundo se pertenciam a acampadores normais, ou escoteiros… E se não tivesse ninguém por perto, aquilo era suspeito. E uma vez mais, ela resolveu o mistério de um daqueles acampamentos em particular nos segundos seguintes em que o descobriu: restos de uma fogueira que pareciam pertencer a um acampador solitário, e o lugar estava cercado por TANTAS carcaças de animais, que aquilo só podia ser rastro de Vegetto. Mas o pequeno acampamento já estava abandonado. Claro, com certeza foi quando os outros foram procurar por ele. Sempre que eles entram em um raio de 100 km², Vegetto é capaz de detectá-los, ainda que escondam sua aura, pois para voar é necessário usar ki, e é óbvio que a fusão de Goku e Vegeta não vai falhar em percebê-los. Mas #18 era diferente: ela era capaz de voar em alta velocidade sem produzir qualquer ki… Num dos dias, ela achou uma trilha. Mais restos de fogueira, pegadas… Ele havia estado ali muito recentemente. Ela se perguntou se deveria continuar a busca para evitar perder o rastro ou alertar os outros, e decidiu pela primeira opção. Ela sempre foi solitária mesmo, isso não iria mudar agora! E se embrenhou na floresta…

Vegetto estava tão próximo da natureza, que se livrou de qualquer roupa. Ele vagou na floresta sem pensar nos seus transtornos de personalidade. Ele via as coisas com mais clareza agora: ele era Vegetto, nascido de Goku e Vegeta e herdeiro de suas memórias. Nada além disso. Ele se abaixou no rio para beber um pouco, quando ouviu o som de uma marca rápida. Ao se virar, se viu face a face com #18. Ela aparentava alguém que havia passado dias sem comer, beber ou tomar banho. E quando viu que Vegetto estava nu, desviou o olhar.

_ Mas o quê… O que você está fazendo aqui, e assim! Vista-se, idiota!

Vegetto tinha o mesmo olhar envergonhado de Goku:

_ Nudez é natural.

_ Porquê você sumiu?

Vegetto parou. Pela primeira vez desde sua partida, ele estava confrontado diretamente com o problema.

_ Eu… Eu me senti como um estranho para vocês.

_ E então fim? – ela estava tão ofendida que olhou para ele diretamente.

_ Como assim “e então fim”? – ele respondeu, chateado por ela não levar seu problema a sério.

_ Você diz que se sente um estranho, você diz isso pra mim? #18? Eu nem mesmo tenho um nome de verdade! Eu não sou mais nem mesmo humana!

Vegetto lembrou das conversas entre #18 e Vegeta. Ela teve que lutar muito pra ser aceita… Ele abaixou os olhos, envergonhado.

_ Eu tinha que descobrir quem eu era… Eu vivo apenas através de Goku e Vegeta. Eu não existo pra vocês. Eu sou apenas um tipo de substituto…

_ Olhe, Vegetto, você, de todo mundo, sabe muito bem o que é perder alguém que se ama. – ela disse, seriamente. E continuou:

_ Eles precisam de tempo pra se adaptar. Admito que eu também estava procurando por Vegeta em você… Mas agora, se eu olho bem de perto, não há Vegeta, nem Goku. Só há você. Dê pra eles algum tempo. Cedo ou tarde, eles vão te aceitar por quem você é. Aí então você decide se vai querer assumir suas famílias ou apenas ser um membro de pleno direito do grupo.

Vegetto sentou.

_ Apesar de eu não ser nem Goku nem Vegeta… Eu sinto que tenho que cuidar dos seus legados… Eu vou pensar sobre isso um pouco mais… Apenas pra ter a certeza de que não vou tomar nenhuma decisão precipitada… Diga a eles pra não se preocuparem.

#18 se permitiu sorrir. Então ela voou e, quando aterrissou em casa, Kuririn a recebeu aos gritos:

_ Meu Deus! Por quanto tempo você não come? Você está bem?

Ela sorriu mediante a preocupação de seu marido, ele sempre a tratou como uma boneca delicada, por mais que ela fosse muito mais forte do que ele. E respondeu amorosamente:

_ Eu trago boas notícias. Vegetto irá voltar logo!

Kuririn suspirou em alívio. Ele teve que admitir que, com um círculo familiar como aquele, era um milagre que ainda não houvesse morrido de um infarte…

#18 contou as boas novas a todos. Eles ficaram mais aliviados e a tensão diminuiu. Bulma já havia planejado suas desculpas por seu comportamento muito… Cavalheiro. Chichi, por sua vez, pretendia repreender Vegetto por seu comportamento tão evasivo. Foi durante uma noite que um ki familiar pôde ser sentido.

_ É ele! – exclamou Trunks, enquanto pulava para fora de casa.

_ Ele quem? – Bulma ia atrás de seu filho.

Vegetto aterrissou na frente deles. Ele parecia mais sereno, e mais maduro também. Suas roupas estavam realmente bem sujas, pareciam que não viam água fazia meses. Mas a despeito disso, Vegetto parecia estar em boa saúde. Trunks mal se conteve:

_ Pai! Onde você esteve?

_ Nas montanhas ao norte. Eu precisei… Mudar um pouco de ares.

_ Papai sempre diz que uma mudança de ares deixa tudo melhor! – Trunks disse sorrindo, lembrando a desculpa que Vegeta sempre dava quando sumia.

Vegetto também estava sorrindo. Bulma olhou para ele, confusa. Ele tomou a iniciativa:

_ Nós temos que conversar.

_ Eu já esperava que fosse dizer isso… - ela respondeu, temerosa.

Trunks percebeu que teria que celebrar o reencontro com seu pai depois. Ótimo! Ele teria tempo para chamar Goten. Ele entrou em casa como um furacão, em direção ao telefone. Bulma esfregou o próprio braço, e começou:

_ Escute, eu…

_ Não se preocupe. – ele interrompeu.

Bulma foi pega de surpresa. Ela gaguejou:

_ Mas… Bem, eu… Quero dizer… Er…

_ Você perdeu seu marido e seu melhor amigo. A perda de uma pessoa amada dói muito, mas no seu caso dói ainda em dobro. Acontece que eu sou a fusão dessas duas pessoas. Então você buscou uma forma de encontrá-los em mim. Por isso você se sente tão atraída por mim. – ele constatou, perceptivo. E continuou:

_ Isso é totalmente compreensível. Eu teria feito o mesmo em seu lugar. Mas acontece que eu sou uma pessoa própria. Eu não sou Goku nem Vegeta. Eu sou Vegetto.

Bulma estava sem fala. Como ela poderia responder a isso? Vegetto olhou para cima.

_ Ei, os outros estão vindo…

Gohan e Videl aterrissaram na frente deles.

_ Papai! Nós estávamos doentes de preocupação! Você está bem?

_ Eu estou bem, Gohan. Vamos esperar pelos outros. Eu tenho uma coisa para dizer a todos vocês.

Gohan levantou as sombrancelhas, mas se resignou em seguida. Dez minutos depois, Kuririn e #18 chegaram.

_ Nós sentimos seu ki, Vegetto! – disse o amigo careca.

_ Você está se sentindo melhor? – perguntou #18.

_ Sim, bem melhor. – respondeu o saiyajin, com um sorriso.

E nisso, Vegetto fez com os lábios “obrigado” para a andróide. Kuririn se perguntou o que teria acontecido, já que a esposa não havia dito nada sobre o que aconteceu nas montanhas. Mas alguma coisa logo despertou a atenção de Vegetto:

_ A propósito, Gohan… Como você chegou aqui tão rápido? E com Videl?

Gohan corou como uma beterraba. Videl, por sua vez, também embaraçada, abaixou a cabeça. Foi Gohan quem começou:

_ Na verdade… Bem… É que…

Mas foi Videl quem terminou:

_ Nós estamos juntos desde ontem! E nós também estávamos na cidade hoje… – ela confessou enquanto esfregava a mão na bochecha.

Gohan ficou tenso, rezando para que tivesse a aprovação do pai. Vegetto riu:

_ Mas desde o dia em que eu nasci, eu já achava que vocês estavam juntos! Pelo menos, Goku e Vegeta acharam isso ao verem vocês juntos!

Gohan não sabia aonde enfiar a cara. Bulma e Kuririn estavam rindo, e #18 estava achando graça de sua expressão de desânimo. Aquilo perdurou por cerca de cinco minutos, quando Goten chegou, carregando a mãe nos braços.

_ Papai! – disse isso enquanto literalmente largava sua mãe no chão e se jogava nos braços do saiyajin risonho.

_ Acalme-se, Goten! – Vegetto exclamou de volta, enquanto pegava seu filho no ar.

Ele olhou em volta. Todos estavam lá. Então adotou um tom mais sério.

_ Ouçam, eu notei que quando vocês olham para mim, todos vocês, vocês pensam nas duas pessoas que perderam. Eu sou o resultado de sua fusão, mas eu não sou nenhum deles. Eu quero passar tudo a limpo e começar de novo, e que nós possamos aprender a nos conhecer. Eu irei viver por mim mesmo por enquanto, vamos ver o que acontece depois.

_ Mas… Então você não quer mais ser meu pai! – Goten gaguejou, com os olhos cheios de lágrimas.

_ Mas é claro que eu quero! Mas eu quero ser visto como Vegetto, não como Goku ou Vegeta.

Goten pareceu ter entendido. Todos admitiram que, quando eles estavam com Vegetto, eles não o viam como tal. Após alguns segundos de reflexão, Kuririn tomou a iniciativa:

_ Bem, Vegetto, o que você esteve fazendo durante tanto tempo?

_ Bem, eu pensei muito. À parte disso, eu vivi como um homem selvagem. A propósito, quando #18 me encontrou, eu estava nu.

#18 corou e olhou para longe.

_ Por favor não me lembre disso! – ela rosnou.

_ Oh, vamos lá! Não precisa ficar assim por causa disso! – Vegetto disse, rindo.

Todos riram, menos Kuririn. Bulma os interrompeu:

_ Ei, eu comprei uma TV nova de tela plana! Vocês querem ver?

_ Está bem, nós sabemos que você tem dinheiro… - #18, avarenta como sempre, murmurou.

Eles entraram e ficaram boquiabertos com o tamanho da tela: era tão grande, que ocupava toda uma das paredes da sala!

_ E quanto à imagem? É boa ou fica pixelizada? – Kuririn perguntou.

_ Veja por si mesmo. – respondeu Bulma enquanto jogava o controle remoto para ele.

Kuririn o pegou e ficou surpreso com o tamanho e peso daquilo. Ele procurou por alguns segundos e então apertou um botão vermelho. A imagem apareceu na tela, mais realista que nunca.

_ Isso é tão legal! Nós podemos ter uma dessa, mãe? – Goten mal podia conter a empolgação.

_ Não… – respondeu Chichi, estupefata.

Na tela, passava uma entrevista de Mr Satan.

_ Então, como você matou o monstro?

_ Muito fácil! Quando eu vi os danos que ele estava causando, eu fiquei irado! E então descarreguei sobre ele todo o meu poder! E o fiz em pedaços! Desse jeito! – Mr Satan dizia enquanto se levantava.

Ele fez uma sequência de golpes básicos e terminou com um chute lateral. Então ele gritou e pulou o mais alto que podia, chutou no ar, e aterrissou com um mortal para trás. Então levantou, quase sem fôlego.

_ E com isso… Phew… Foi como… Ouch… Eu terminei… Com aquele demônio rosa!

Ele terminou a entrevista com sua usual pôse de vitória. Os jornalistas pareciam impressionados.

_ E mais uma vez, Mr Satan salvou o mundo!

Kuririn, puto, desligou a TV. Vegetto estava abismado.

_ Ele disse que ele fez todo o trabalho?

_ Bem, sim. É sempre ele quem leva todo o crédito… Mesmo que outros tenham feito o trabalho duro. – Kuririn respondeu.

_ E vocês deixam ele fazer isso? – perguntou novamente Vegetto, surpreso.

_ Sim. Nós teríamos muitos problemas se as pessoas soubessem quem são os verdadeiros heróis. Talvez seja melhor para nós que Satan leve todas as honras, assim nós podemos ficar em paz. – disse Gohan, filosoficamente.

_ É verdade… Mas mesmo assim, eu não gosto de ver esse perdedor patético no centro das atenções. – Vegetto não estava nada satisfeito.

_ Você quer pegar o lugar dele? – perguntou rispidamente Bulma.

_ Não, eu nunca disse isso…


_ Traduzido por Akroma


Adicionar um Novo Comentário
ou Iniciar como usuário Wikidot
(não será publicado)
- +